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O Lugar Do Canto Está Vazio

Descrição

Teatro
 
O lugar do canto está vazio
Companhia Maior / Sofia Dias & Vítor Roriz
 
22 a 25 novembro 2019
 
Por convenção, deveríamos propor uma ideia para este projeto – um projeto de dança. Por convenção, pois, porque a dança, ou pelo menos esta dança, não decorre de ideias mas pretende ser um lugar para que dela surjam.
Preferíamos, por isso, deixar as ideias para mais tarde, idealmente para o momento em que público se confronta com o que resultar deste projeto. Antes disso, há sempre o receio da tradução: que os gestos, as dinâmicas, os ritmos, as cadências, as formas, as vozes, se reduzam à simples tradução de uma bela ideia, dissimulando a separação, por vezes, inconciliável entre as ideias e a dança. Para além disso, as nossas ideias de partida estão longe de serem belas de tão banais e o seu reflexo nos espetáculos é quase sempre residual.
Por isso, vamos escapar das ideias e concentrarmo-nos nas ferramentas e na matéria. As ferramentas são as que temos vindo a usar no nosso trabalho coreográfico, talvez a que se destaque mais seja a dissociação. Usamos a dissociação entre corpo e voz, entre gesto e palavra, na tentativa de provocar falhas na perceção e pela falha permitir que se escapem múltiplos sentidos.
A matéria são obviamente os corpos que constituem a Companhia Maior – e neste momento é difícil esconder o entusiasmo em trabalhar com estes corpos. No confronto entre as nossas ferramentas e esta matéria vamos tentar encontrar uma especificidade ou singularidade. Um apelo a experimentar o que não dominamos ou nos coloca numa zona de conflito, de risco e até mesmo de falência. Parece-nos que é nesse lugar, entre o que se domina e o que se desconhece que o corpo dos intérpretes adquire a qualidade do presente, uma transparência que permite ver o seu modo de agir e de pensar apelando à cumplicidade de quem o observa.
No entanto, não vale a pena esconder: as coisas procedem umas das outras em múltiplas derivações, mais vezes casuais do que voluntárias, e que o lugar onde chegamos é sempre diferente daquele que prevíamos. Felizmente. E este projeto com a Companhia Maior talvez seja aquele onde esta evidência se torna mais vertiginosa para nós. Há mais variáveis que nos são estrangeiras do que familiares: trabalhar com um grande grupo de pessoas, em contexto de companhia, com experiências profissionais muito diferentes, algumas ligadas ao movimento, quase todas ligadas à palavra. Por isso, este projeto mais do que a uma qualquer ideia de partida está subordinado ao nosso encontro com cada um dos elementos da Companhia Maior. Será com eles e a partir deles que vamos desvelar uma pesquisa composta por partituras sonoras, gestos que se transformam em palavras e palavras que se multiplicam em movimentos. Uma série de materiais onde o mais relevante não é tanto o que se diz com eles mas o que a partir deles fica por dizer.
 
 
Direção, texto e coreografia Sofia Dias e Vítor Roriz
Desenho de luz Nuno Borda de Água
Criação de som/música Sofia Dias
Apoio à dramaturgia Alex Cassal
Apoio som e vídeo Pedro Costa
Espaço cénico Catarina Dias
Execução das estruturas cenográficas Gonçalo Barreiros
Assistência à direção Mário Afonso
Elenco Artistas da Companhia Maior
Produtor Luís Moreira
Coprodução Centro Cultural de Belém, Teatro Municipal do Porto | Rivoli, Cineteatro Louletano e Companhia Maior
 
 
Sala: Pequeno Auditório
Faixa Etária: M/12
Horário: 21h (22, 23 e 25 novembro), 16h (24 novembro)

Promotor

Fundação Centro Cultural Belém