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Não Kahlo

Descrição

Não Kahlo é canibalista. Comeu a orelha direita de Van Gogh.
Não Kahlo é cleptomaníaca. Roubou as rosas de Santa Isabel para adornar os cabelos de Frida.
Não Kahlo é contra-hegemónica. Arrancou o bigode de Dali para fazer a peruca de Barloff.
Não Kahlo é inconformada. Abriu a vala de Shakespeare para desenterrar a caveira de Yorick.
Não Kahlo é amante. As suas criações são exercícios espirituais.
Não Kahlo é iconoclasta. Subtraiu um prego à cruz e pregou-o na lista telefónica.
Não Kahlo é a acção de se desdobrar em infinitas mulheres.
 
Não Kahlo está de esperanças e quer parir um tigre que devore Shakespeare, Brecht, Van Gogh, Artaud, Cicciolina, Rivera, Abu-lughod, Heiner Müller, Monet, Foucault, Fassbinder, Ed Wood, Gauguin, Stanislavski, Beckett, Frida, Cesariny, Beethoven, Fernando Pessoa e mais os planetas desertos, que também mandam coisas, para os digerir e cuspir na caixa preta.
 
Não Kahlo é um espectáculo que parte da vida, obra e sonhos da pintora mexicana Frida Kahlo. O espectáculo dialoga com a noção de «conto-sonho», com o universo non-sense e o mundo onírico criado por Lewis Carrol em Alice no País das Maravilhas (1865) e Alice através do espelho, recriando Alice não como uma sucessão de eventos, mas como uma história que mergulha no universo surrealista, do realismo mágico latino-americano, biográfico e artístico de Frida Kahlo.

Ficha Técnica
Produção - D. Mona
Encenação, texto e cenografia - Mónica Kahlo e Sílvia Raposo
Elenco - Mónica Kahlo, Sílvia Raposo, Margarida Camacho e Anabela Pires
Figurinos - Helena Raposo
Apoio técnico - Pedro Milo
Vídeo – Sylvia Jaimes
Grafismo – Sílvia Raposo

Promotor

CÂMARA MUNICIPAL DE SINTRA