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Charles Bradley & His Extraordinaires

Notas

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Descrição

A expressão "força da natureza" é muitas vezes desperdiçada em certos artistas, mas totalmente adequada se se procurar descrever a intensidade da arte de Charles Bradley. O cantor associado da mesma Daptone Records da saudosa Sharon Jones é uma espécie de monumento vivo, testemunho directo de uma cultura e de um tempo que de facto mudou o curso da história americana. 
Apesar de contar 68 anos de idade, o veterano de Brooklyn, Nova Iorque, só conta três álbuns no seu currículo uma vez que só em 2011 foi descoberto nas ruas da grande cidade por Gabriel Roth, o homem do leme da Daptone que nunca deixou de procurar autenticidade para a música que teimosamente foi criando e lançando, mesmo quando a soul e o funk de recorte mais clássico não tinham ainda (re)conquistado audiências internacionais. Claro que tudo mudou depois de Roth ter sido chamado a dar uma ajuda no segundo e histórico álbum de Amy Winehouse, Back to Black. A cultura em que a cantora de "Love is a Losing Game" se inspirou e com que obteve um extraordinário sucesso, no entanto há décadas que circula nas veias de Charles Bradley
Natural da Flórida, o futuro cantor foi cedo para Nova Iorque e contava apenas 14 anos quando viu, levado pela irmã, James Brown ao vivo no mítico Apollo, no Harlem, corria o ano de 1962. Brown nunca mais deixou de ser uma referência máxima para Bradley. Com jeito para cantar, Charles tentou que a música fosse um escape para o seu ganha pão como cozinheiro, mas uma das suas primeiras bandas acabou por ver o futuro comprometido pela guerra do Vietname. Nas décadas seguintes, Bradley foi cruzando a América - do Alaska à Califórnia - fazendo pequenos concertos e aceitando o trabalho que ia surgindo, como cozinheiro ou pedreiro ou outra coisa qualquer. 
Foi com a "máscara" de Black Velvet, um imitador de James Brown, basicamente, que Gabriel Roth o descobriu num pequeno clube de Nova Iorque. O editor e produtor, que também assina Bosco Man, viu real talento em Bradley e levou-o para a Daptone, com No Time For Dreaming, de 2011, a revelar-se a primeira entusiasmante etapa desta nova fase da sua vida. Em palco, Charles Bradley foi confirmando todas as esperanças de Roth e rapidamente se afirmou como um artista fulgurante e uma das principais figuras do revival Soul que tem marcado o planeta. 
Charles foi protagonista do documentário Soul of America em 2012, editou Victim of Love em 2013, arrasou palcos nos maiores festivais do mundo - de Coachella ao Primavera Sound, passando por Glastonbury - e afirmou-se como artista de corpo inteiro, representante no presente de uma tradição musical que se estende até James Brown e que foi uma verdadeira ferramenta de afirmação dos direitos da minoria afro-americana. 
O ano passado, Charles Bradley editou Changes, álbum que incluía uma versão do tema dos Black Sabbath com o mesmo título, e combateu e derrotou um cancro no estômago, regressando agora em força para apresentações no Coliseu do Porto a 23 de Novembro e no Coliseu de Lisboa (integrado no Vodafone Mexefest) a 25 de Novembro. É em palco que se percebe a imparável energia deste gigante, a mesma energia que músicos como Jay Z tentaram capturar ao samplar as suas canções. Charles Bradley é de facto um portento, uma força da natureza. E como se faz perante qualquer outra força da natureza, a nós, comuns mortais, só nos resta admirar a sua magnificência.

Promotor

Ao Sul Do Mundo, Crl