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Belém Cinema - Cleópatra

Descrição

CLEÓPATRA
Cleopatra
250’|1963 | EUA, Reino Unido, Suiça
 
Realização:  Joseph L. Mankiewicz
Elenco: Elizabeth Taylor, Richard Burton, Rex Harrison, Rody MacDowall
Estreia em Portugal: 22 de Outubro 1963
 
“O mais memorável deste filme é o seu entretenimento incomparável.
Um dos grandes épicos dos nossos dias”
New York Times, 1963
 
“Um filme supercolossal que enche o olho.
Uma extraordinária recreação cinematográfica de uma época histórica"
Variety, 1963
 
Cléopatra, de Joseph L. Mankiewicz, é uma das mais grandiosas e opulentas produções de Hollywood de sempre. Nomeado para 9 Óscares, mas vencedor apenas nas categorias técnicas (guarda-roupa, direção artística, fotografia e efeitos visuais), a sua produção arrastou-se por mais de três anos e quase levou à falência a 20th Century-Fox. Tão colossal e polémico como a própria história da lendária rainha egípcia, este épico gerou enorme controvérsia e dividiu opiniões desde o primeiro momento, e a sua notoriedade construiu-se na ambivalência das críticas e elogios, uma discussão que se arrasta até aos dias de hoje.
O filme narra a vida lendária de Cleópatra (Elizabeth Taylor), a poderosa rainha do Nilo, e a forma astuta como seduziu dois generais romanos, Júlio César (Rex Harrison) e Marco António (Richard Burton) para evitar invasão do Egipto pelo Império Romano. Quando Júlio César chega a Alexandria, Cleópatra usa a sua beleza irresistível para o seduzir e assegurar uma aliança com o Império Romano, o que lhe permite conservar o poder. Pressionado pelas muitas tensões no seu Império, César regressa a Roma. Cleópatra segue-o, reclamando um lugar a seu lado. Porém, o César é assassinado pelos seus inimigos. Ameaçada, Cleópatra regressa ao Egipto e tenta preservar a aliança voltando-se para Marco António, que se torna seu amante e protector. Esta ligação, vista com grande oposição por Roma, desencadeia uma série de batalhas, terminando de forma trágica. 
Numa época em que os grandes estúdios de Hollywood enfrentavam uma abrupta perda de receitas e espectadores devido a popularização da televisão, era urgente encontrar projetos cinematográficos que repusessem o sucesso e a magia do cinema e voltassem a atrair multidões e receitas de bilheteira.
É neste contexto que a Fox tira da gaveta o projecto de Cleópatra, acreditando que a história épica da rainha egípcia reunia todos os ingredientes para se tornar um retumbante sucesso de bilheteira e tirar os estúdios de uma situação financeira complicada. O projecto é entregue ao produtor Walter Wanger, com um orçamento de 2 milhões de dólares e 64 dias de filmagens. Porém, Wanger era mais ambicioso. Seria necessário rescrever o guião (que era para um filme mudo), conceber cenários exóticos, assinar com um bom realizador (Rouben Mamoulian), escolher uma grande estrela para protagonizar o filme.
É então que surge o nome de Elizabeth Taylor, que aceita fazer o filme com um contrato de um milhão de dólares (nunca nenhum estúdio tinha pago tanto para ter uma estrela nos seus filmes) e com a contrapartida de que o filme fosse rodado fora dos Estados Unidos e filmado em Todd-AO, um formato especial de 70mm desenvolvido por Mike Todd, de quem era viúva, e de cujos direitos era agora detentora.
Respondendo à exigência de Taylor e aproveitando os incentivos fiscais oferecidos no Reino Unido, a rodagem de Cleópatra instala-se nos grandes estúdios Pinewood, em Londres. Depois de vários meses e milhares de dólares gastos na construção dos cenários do filme, a rodagem inicia-se em Setembro de 1960, e com ela uma estonteante sucessão de percalços: desde greves da equipa técnica, ao mau tempo que não só interrompia as filmagens como destruía os cenários, culminando com Elizabeth Taylor a ficar gravemente doente e a não poder filmar durante semanas. Mamoulian ainda rodou as poucas cenas em que Taylor não aparecia, mas, com prejuízos diários a rondar os 100 mil dólares, rapidamente a produção foi suspensa.
Em Janeiro de 1961, com 7 milhões de dólares gastos, 16 semanas de rodagem perdidas e apenas 10 minutos de filme utilizáveis, Mamoulian entra em divergência com os produtores da Fox e demite-se da realização. É então contratado Joseph L. Mankiewicz, que assume a direção e a rescrita do guião do filme.
Quando a rodagem estava prestes a reiniciar-se, Taylor tem uma séria recaída no seu estado de saúde e entra em coma. Depois de sujeita a uma traqueostomia, regressa aos EUA para prosseguir a sua recuperação. Neste interregno, a produção de Cleópatra decide desmantelar os cenários construídos em Londres e transferir a rodagem para os estúdios da CineCittà, em Roma. Os cenários são refeitos do zero, o guião é rescrito, um novo elenco é contratado.
Em Setembro de 61, recomeça a rodagem que se iria prolongar até Julho de 62, não sem sucessivos problemas de derrape de orçamento, processos judiciais, demissões, falecimentos, e até problemas de saúde de Mankiewicz… E ainda o escândalo do envolvimento extra-conjugal de Elizabeth Taylor e Richard Burton, que não só se tornou alvo dos tablóides, como levou o Vaticano veio a condenar a relação e incentivar milhares de figurantes a boicotarem as filmagens em Roma.   
Na pós-produção os problemas do filme não terminaram. Mankiewicz alinha um filme com duas partes de três horas, para serem lançadas separadamente: “César e Cleópatra” e “António e Cleópatra”. A direção da Fox opõe-se terminantemente e exige a Mankiewicz que monte um único filme. A ideia do estúdio era capitalizar o mediatismo do romance de Taylor e Burton e assim impulsionar a sua promoção. O desacordo entre as duas partes sobre o rumo da montagem culmina com o despedimento de Mankiewicz. Porém, quando as equipas do estúdio se apercebem que as filmagens não seguiram afinal um guião escrito, foi inevitável re-admitirem Mankiewicz para concluir a montagem… Nesta nova fase, estreitamente supervisionada pela direcção do estúdio, concluiu-se que algumas cenas de batalhas comprometiam a qualidade do filme e teriam de ser refilmadas. Mankiewicz parte então para Espanha, onde as volta a filmar, para finalmente terminar a produção.
Em Junho de 63, Cleópatra estreia em Nova Iorque. A expectativa em torno do filme era alta e, aproveitando a relação amorosa dos protagonistas, a Fox fez uma promoção e publicidade extremamente eficazes. Apesar das críticas se dividirem, e da própria Elizabeth Taylor ter expressado publicamente o seu desagrado pelo filme, o público acorreu em massa - no dia da estreia, as sessões do filme já se encontravam esgotadas para os 4 meses seguintes. Contudo, a sua duração impedia que se fizesse mais do que uma sessão diária e, ainda que tenha sido um dos maiores sucessos de bilheteira dos anos 60, com um orçamento final de 44 milhões (o que equivaleria hoje em dia a 344 milhões de dólares), só ao fim de 10 anos o filme começou a dar retorno financeiro à Fox.
Cleópatra é um dos filmes mais caros e influentes de sempre. Ainda que muitos o considerem um dos maiores flops da história do cinema, a verdade é que ele transformou a indústria cinematográfica: por um lado, ao elevar como nunca a fasquia dos contratos das grandes estrelas, dando-lhes uma importância vital nas novas produções; por outro, os grandes estúdios de Hollywood deixaram de assumir integralmente o orçamento dos filmes, passando a associar-se entre si para financiar as maiores produções. A influência do filme alastrou à cultura popular e Elizabeth Taylor tornou-se um símbolo de sensusalidade e emancipação feminina, ao ponto de Andy Warhol considerar a “sua” Cléopatra como a grande influenciadora do estilo dos Anos 60.
É este grandioso épico - na sua versão digital restaurada e estreada no Festival de Cannes, em 2013 - que será exibido no BELÉM CINEMA no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, a 10 de Junho. 

Promotor

Fundação Centro Cultural Belém